Drone ou trator: o que muda em cada hectare

Quando um agricultor ou um gestor de herdade pensa em trocar parte das passagens de trator por drone, a primeira pergunta costuma ser o preço. É uma boa pergunta, mas o preço por hectare só faz sentido quando se olha para o resto da conta: quantos hectares se fazem por dia, o que acontece ao solo, quanta cultura fica debaixo dos pneus e quanto produto entra na parcela.
Hectares por dia
No nosso simulador usamos médias prudentes: cerca de 50 hectares por dia com um drone e cerca de 20 hectares por dia com um trator e pulverizador. Em condições favoráveis, o drone chega a ser até cinco vezes mais rápido. Com dois ou três drones a trabalhar em simultâneo na mesma herdade, a capacidade diária multiplica-se sem precisar de mais tratores nem de mais tratoristas.
Os números dependem da cultura, da forma das parcelas, da distância ao ponto de reabastecimento e do volume de calda por hectare. Para ter uma ideia da escala, o DJI Agras T100 leva 100 litros no tanque de pulverização ou 150 litros de sólidos (adubo granulado ou semente), com uma largura de trabalho efetiva entre 5 e 13 metros. O T70P leva 70 litros de calda ou 100 litros de sólidos.
Os hectares por dia contam porque a maior parte das operações tem uma janela curta. Uma cobertura de azoto nos cereais em janeiro, a sementeira do arroz logo depois de alagar o canteiro, uma adubação foliar antes de uma frente de chuva: quem consegue fazer a área toda em dois dias, em vez de sete, aplica no momento certo.
O que acontece ao solo
O trator pesa. Num inverno chuvoso, cada passagem em terra molhada deixa rodados e compacta o solo. O Centro Europeu de Dados do Solo, da Comissão Europeia, explica que a compactação é mais grave quando a máquina pesada trabalha em solo húmido, porque o solo mole perde mais volume com a mesma pressão. A compactação do subsolo, abaixo da profundidade de mobilização, é a mais difícil de corrigir: há registos de produções mais baixas 17 anos depois de uma única passagem com uma carga de 5 toneladas por roda.
O drone não toca no chão. Pode trabalhar no dia a seguir à chuva, quando o trator ainda não entra ou entra a patinar.
A cultura que fica debaixo dos pneus
Em culturas altas ou densas, o trator esmaga plantas. Nos cereais sem linhas de passagem, nos arrozais alagados ou num milho já alto, cada passagem deixa duas faixas de cultura danificada. Os estudos sobre o efeito dos rodados em cereais mostram valores muito variáveis: um levantamento antigo no Dakota do Norte estimou perdas entre 0,4% e 1,2% da produção total, e um ensaio no Oregon encontrou menos 31% de filhos nas linhas pisadas. A perda depende do estado da cultura, da largura da barra e de haver ou não linhas de passagem.
Com o drone não há rodados na parcela nem é preciso deixar linhas de passagem.
Produto aplicado
O drone aplica com volumes de calda muito mais baixos do que um pulverizador terrestre e com um mapa de voo que evita sobreposições e falhas. Nas operações que fizemos, a poupança de produto ficou em cerca de 30%. O valor real depende da cultura, do produto e do que estava a ser feito antes, por isso preferimos medi-lo em cada exploração a prometer um número fixo.
Quando o trator continua a ganhar
Há casos em que o drone não é a melhor opção, e convém dizê-lo:
- Parcelas pequenas e dispersas, onde o tempo de deslocação e de montagem pesa mais do que o tempo de voo.
- Doses muito altas de adubo sólido, como algumas adubações de fundo, que obrigam a muitos reabastecimentos. Com o solo seco e transitável, o distribuidor de adubo do trator é normalmente mais barato.
- Vento forte. Com vento acima dos limites de segurança, o drone fica em terra.
- Zonas com muitos obstáculos, como linhas elétricas, árvores isoladas altas ou construções no meio das parcelas, que obrigam a excluir áreas do voo ou a trabalhar mais devagar.
Na próxima semana explicamos o que a lei pede a quem opera um drone agrícola.
Como comparar a sua exploração
Para comparar com números seus, junte quatro dados: a área a tratar, o número de dias que tem de janela, o custo atual por hectare com o seu trator (incluindo combustível, mão de obra e desgaste) e o que perdeu nos últimos anos por chegar tarde ou por não conseguir entrar na parcela. Com isto, a comparação deixa de ser só preço contra preço.
Para herdades e fundos com várias explorações, a conta muda ainda mais: a capacidade de vários drones em simultâneo e um preço por hectare acordado antes da campanha tiram incerteza ao orçamento. Explicamos como funciona na página Fundos de investimento agrícolas.
Se quiser fazer esta comparação com a sua exploração, envie-nos a área, as culturas e a localização.
Fontes
- DJI Agriculture, especificações do Agras T100: https://ag.dji.com/t100/specs
- DJI Agriculture, especificações do Agras T70P: https://ag.dji.com/t70p/specs
- Comissão Europeia, JRC / European Soil Data Centre, «Soil Compaction»: https://esdac.jrc.ec.europa.eu/themes/soil-compaction
- Projeto RECARE (UE), síntese sobre compactação do subsolo: https://www.ecologic.eu/sites/default/files/publication/2018/2730_recare_subsoil-compaction_web.pdf
- North Dakota State University, «Wheel Track Losses in Small Grains»: https://library.ndsu.edu/ir/handle/10365/24395
- Washington State University (PNW STEEP), «Effects of Equipment Traffic on Tillering and Yield of Winter Wheat»: https://pnwsteep.wsu.edu/pnw-conservation-tillage-handbook/effects-of-equipment-traffic-on-tillering-and-yield-of-winter-wheat/